quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Só o objeto constitui-se como alteridade radical (Roberto Alvim)

A dramaturgia de Pantanal nasceu de um exercício em aula que tinha como pressuposto a transmutação de sujeito, tornando-se uma antropormofização. Pois se trata de seres e não de pessoas, e a performatização do suporte da escritura fazendo uso de tipografias para diferenciar emissores, ausentes de seus nomes, ampliando as possibilidades de intervenção nos demais artistas.
O mote para esta habitação foi uma experiência, em um dia de chuva, que vivi no bairro, de mesmo nome do projeto. A comunidade estava completamente tomada pela enchente. Diante desta situação impotente não me restava outra alternativa a não ser violentar poeticamente, algumas de suas causas através de pontos de vistas destes modos de subjetivação. Esta opção veio para tentar dar conta de um olhar de quem se encontra dentro, que é o caso dos 90% da equipe/bang.
O projeto teve como principio estético a exploração da sonoridade no espetáculo. Expandindo as múltiplas possibilidades que a voz humana e a tecnológica pode oferecer. Utilizando o Slam, gênero da musica declamada que combina a idéia dos sons com o trato cuidadoso da língua, como norteador da pesquisa. E para tal, trouxemos a Roberta Estrela D’Alva que, em primeira mão, nos apresentou esta modalidade ainda pouco difundida no Brasil: a fusão do spoken word com o teatro.
Emerson Alcalde
DRAMATURGO

O verdadeiro olho da terra é a água. (Gaston Bachelard).

Eu sou de lá, terra que tem dia certo para se encharcar, terra que tem dia certo para mover todos de um lugar para o outro, para cima, para o alto, para casa do vizinho. Terra de promessas não cumpridas, terra acostumada, terra de rir, de chorar, de brincar de ser água, lama, fossa por alguns meses. Eu sou de lá... Mais que de deus, do homem, esta terra é minha, é sua, é de todos nós. É de ninguém quando convém. É aqui, é lá, é em tantos que nem sei... É dentro de mim... É fora de todos... É em tantos que nem sei... Queria entrar nas torneiras do céu e da terra para descobrir os caminhos. Andar em seus túneis e gritar. Ouvir a palavra como eco da voz. Chamar alguém que mora lá. Ouvir quem sabe dizer com a alma. Acender a luz e percorrer seus labirintos. Mergulhar fundo e descobrir de onde a água vem. Conhecer seus rostos suas faces, seu mau cheiro, sua pureza... Queria saber que gosto, ela tem. Que cores ela tem. Que sons ela tem. Que segredos ela tem. Que dores, ela tem. Que imagens, ela tem. Com receio... Andei pelo corredor estreito e cumprido e com a mão direita apenas toquei na torneira... Fechada. Silenciosa. Protetora. Reservada... E como resposta ao meu toque ela me deu uma gota de água poderosa para criar um mundo e dissolver a noite.
Anderson Maurício
                                                                                  DIRETOR

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Projeto

Apresentação
Montagem do texto Pantanal utilizando o slam, gênero da musica declamada que combina a idéia do rap com o trato cuidado da língua, como norteador da estética. O tema é as ruas alagadas da periferia da cidade narradas por pontos de vista de modos de subjetivação fantasiosos.  A temática é sociológica, porem através das metáforas pretende-se expandir as relações de alteridades. Inspirado em fatos concretos das enchentes no Jd. Pantanal zona leste, a obra sugere uma resposta, mas não por um olhar jornalístico, e sim visto de dentro, a altura da complexidade desta questão, porque acreditamos que dentro do que já foi feito e da maneira da qual foi feita, ainda não deu conta. 
Trazer a sensação de estar em uma enchente através da sonoridade a iluminação.

Objetivo da pesquisa teatral
Expandir as possibilidades cênicas dentro da caixa preta, partindo da palavra e da sonoplastia com forte influência da iluminação. Os atores criaram com o seu corpo e com sua voz figuras não humanas como Viela, Barquinho de papel, Muretinha e Sanguessuga em um jogo de antropomorfização constante. Na maioria das vezes o texto será dito no microfone explorando as múltiplas possibilidades deste recurso, incluindo efeitos de distorção sonora acústica e da própria ressonância do corpo do ator. É um projeto de texto, som e luz, incluindo os demais elementos, porém tendo como norteadores do processo este três pontos mais fortemente na encenação. Não se trata de fazer rádio no palco, o que está em busca nesta pesquisa é de criar uma nova dramática. Todos os envolvidos serão desafiados e provocados a procurar caminhos singulares, apesar de se passar num palco italiano, as relações serão problematizadas. E nem tudo será programado. O sonoplasta irá distorcendo e inserindo som de acordo com o momento e os atores terão que reagir a isso, em momentos específicos. Sofrendo interferência direta da iluminação criando um jogo dramático entre as linguagens teatrais.

Justificativa
A partir do encontro no exercício entre dramaturgia e sonoplastia, rádio-teatro, optamos por desenvolver e ampliar esta pesquisa para uma obra maior projetada  para o palco, como um experimento cênico para testar a sua funcionalidade.  E convidamos a iluminação para performatizar estas idéias. Queremos pesquisar a sonoridade do espetáculo. Descobrir novas maneiras de se falar no microfone e fora dele, fazendo uso das novas tecnologias como IPAD e da MPC (bateria eletrônica) que possibilitam criar sons dialogando com as palavras e com a cena. E as demais áreas não serão excluídas, serão convidadas a entrar neste jogo, e se permitirem, serem guiadas/influenciadas pelo som, para a partir de então desenvolverem a sua função que lhe cabe dentro do projeto.
O espetáculo será concebido para PALCO ITALIADO.

Artista convidado – Roberta Estrela D’Alva Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e dirigiu Ciny Hip-Hop na linguagem Teatro Hip-Hop. Organiza o ZAP-SLAM (batalha de poesias) E atuou na peça VAI TE CATAR! Em uma linguagem muito próxima da que queremos desenvolver.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dilúvio

O termo dilúvio refere-se a uma grande quantidade de chuvas, capazes de inundar e devastar toda uma região. Em sentido estrito, Dilúvio, segundo diversas mitologias, foi uma terrível inundação que teria coberto todo o mundo, ou ao menos terras ancestrais de determinados povos. Porém não há evidências científicas que comprovem o caráter universal de tal acontecimento. O máximo de credibilidade que se pode atribuir a estes mitos são acontecimentos isoloados que realmente aconteceram em algum momento da história de cada povo.
Um acontecimento como o dilúvio deixaria suas marcas no planeta, todavia nada, hoje, foi encontrado que comprove que tal catástrofe literalmente aconteceu. Quanto aos sedimentos e fósseis marinhos em todas as grandes montanhas do mundo, são sedimentos de superfícies marinhas ou terrestres que foram deslocadas pelo choque das placas tectônicas ocorridas no fundo do oceano, projetando para cima o que se encontrava na superfície ou no fundo do mar.
A formação das cordilheiras: Andes, Himalaia, Alpes, foi resultado de colisões ou da placa marinha próxima (Andes) ou, no caso dos Alpes e do Himalaia, o choque da península italiana com o continente europeu(Alpes) e da Índia com o continente da Ásia.
Os registros históricos mais antigos que se conhece têm cerca de quatro mil e quinhentos (4500) anos. São dessa época as civilizações mais antigas. Igualmente digno de nota é o fato de, nas mais variadas culturas, em todos os continentes, existirem tradições que aludem à ocorrência de um dilúvio global com paralelismos espantosos entre sí, tendo sido documentadas mais de 250 em contextos culturais diferentes.
Antropólogos dizem que há mais de 1.000.000 de narrativas do dilúvio em povos e culturas diferentes do mundo e todas elas, coincidentemente ou não, são no início destas civilizações. Para a civilização ocidental, a história mais conhecida a respeito do dilúvio é a da Arca de Noé, segundo a tradição judaico-cristã. O Dilúvio também é descrito em fontes americanas, asiáticas, sumérias, assírias, armênias, egípcias e persas, entre outras, de forma basicamente semelhante ao episódio bíblico, porém am algumas civilizações se relata sobre inundações em vez de chuvas torrenciais: uma divindade decide limpar a Terra de uma humanidade corrupta, ou imperfeita, e escolhe um homem bom aos seus olhos para construir uma arca para abrigar sua criação enquanto durasse a inundação. Na narrativa judaica, Jeová estava disposto a acabar com toda a humanidade porém Noé foi agraciado por Ele, pois era um varão temente a seu Deus e não se tinha deixado corromper. Após um certo período, a água baixa, a arca fica encalhada numa montanha, os animais repovoam o planeta e os descendentes de tal homem geram todos os povos do mundo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Nosso primeiro encontro no Jd Pantanal

Quinta dia 13 na catraca do metro Itaquera ao lado do Fielzão. Nos encontramos, descemos e pegamos a lotação União de Vila Nova, é assim que se chama o Jd Pantanal, devido a tantas tragédias, houve uma reurbanização desta favela mudando até o nome na tentativa de se melhorar. Mas quem mora lá fala PANTANAL.
Andamos pelas ruas, becos e vielas. Conversamos com senhoras. O Dias até almoçou na casa de uma delas (rs). Vimos alguns possiveís espaços para a nossa apresentação. Trocamos um proceder com o Negro Panda, rapper e morador do bairro, estava no horário de trabalhando fazendo a segurando do Parque Jacuí, que fica dentro do Pantanal. Ele ficou de nos ajudar a ver outros espaços dentro da comunidade.
Segue algumas fotos desta nossa pesquisa de campo. Estaremos lá sexta e sábado. Depois retornaremos a SPET.